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Neto de Boca Rica

5 de Fevereiro de 2012 Humberto Vital
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Neto Boca Rica, relembra as peripécias da famosa Festa do Cajú

Inventada pelos irmãos Targino, a Festa do Caju, com a participação do Bloco do Boi, cresceu bastante e durou mais de quinze anos.

 

Todo ano, no mês de outubro, escolhíamos um domingo e, na véspera, levávamos várias garrafas de cachaça para o sítio Veneza, de Seu Adonias e Dona Mocinha. Lá chegando, enterrávamos as garrafas na areia, debaixo de uma oiticica grande e jogávamos água por cima para esfriarem, pois no sítio não tinha energia.

 

No domingo, cada um levava o que quisesse comer. A cachaça com caju já estava garantida. Era o dia todo desenterrando e secando garrafa.

 

Ao anoitecer, as mulheres tomavam banho na casa de Seu Adonias e os homens iam tomar banho no açude, para depois “arrochar” num forró até meia-noite, ao som da radiola de Jackson.

 

Após o banho, trocávamos de roupa, colocávamos  perfume e desodorante, que quase todos levavam em suas mochilas. Neguinho Pedro, que tem mania de colocar desodorante onde encontrar, não levava, mas usava de todos. Já sabedor da obsessão de Neguinho por desodorante, Zeninho encheu um tubo de Mistral com mercúrio e deixou dando sopa em cima da bolsa. No escuro, Neguinho se fartou, passou o produto por todo o corpo, depois vestiu a roupa e fomos para o forró. Quando Neguinho chegou no claro da lamparina, foi uma gargalhada geral. Parecia que tinha sido esfaqueado. Tanto era vermelho o corpo como a roupa. Quem pensar que ele ficou incomodado está muito enganado. Dançou forró até o fim. Sujou vestidos de muitas damas. 

 

Por: João Salustriano Neto / Extraído do Livro Pra Sempre Catolé



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