O mundo cobra compromissos ambientais de Bolsonaro; boicotes recentes ameaça o agronegócio

O destempero e a falta de visão do presidente da República e de seus filhos, investindo contra parceiros como a China, continua a trazer prejuízos ao País. Isso já aconteceu no fornecimento de imunizantes contra a Covid, e agora pode estar se repetindo com um setor vital para a economia: o agronegócio, responsável sozinho por quase 27% do PIB. A Comissão Europeia propôs no dia 17 proibir a importação de produtos do agronegócio brasileiro considerados ligados ao desmatamento e à degradação florestal, incluindo soja e carne bovina. Em setembro, a China barrou a importação da carne brasileira pela divulgação de dois casos suspeitos da doença da vaca louca. Em seguida, a federação dos produtores norte-americanos (NCBA) propôs barrar a entrada de carne brasileira, alegando a falta de compromisso do Brasil em comunicar rapidamente esses problemas sanitários.

Tudo poderia ficar na seara das disputas comerciais, um problema compreensível pela força das exportações brasileiras. Mas o isolamento internacional do governo Bolsonaro está abrindo o flanco cada vez mais para movimentos de boicote, o que preocupa cada vez mais os produtores brasileiros. Há o sentimento de que as ações acima já são casos concretos de retaliação. No caso da China, a falta de interlocução jogou o setor no escuro por várias semanas, até que o país asiático permitisse na última quarta-feira a entrada de lotes de carne bovina que haviam recebido certificação sanitária antes do embargo.

Autoridades brasileiras correm para conseguir amenizar as relações estremecidas com países que apostam numa “virada verde” mundial, como ficou patente na COP-26. Durante a conferência da ONU, que aconteceu em Glasgow (Escócia), o Brasil ao menos se tornou signatário ao lado de mais de 100 países — dentre eles a China — de um acordo para zerar o desmatamento até 2030 (mesma data para redução de gás metano em 30%).

AMEAÇA Frigorífico da JBS: exportações de carne sofrem ameaça de retaliação (Crédito: Julio Bittencourt /JBS)

Para Roberto Goulart Menezes, professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB, o Brasil saiu da COP26 como chegou: desacreditado e sem conseguir convencer ninguém a respeito de seu plano mirabolante. “O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, armou um palanque inclusive para o agronegócio predatório”. Assim, o setor agropecuário brasileiro segue na mira, como responsável pelo volume considerável de gás metano originado pelo rebanho bovino.

A pressão de ambientalistas pela adequação de quem pretende estabelecer relações comerciais com a UE é forte. Além de cobrados por medidas sustentáveis, contra desmatamento e emissão de gases, os pecuaristas são visados pela questão sanitária. Desde 2017 a Rússia impede a importação de carne bovina e suína de 12 unidades devido a alegações do uso do aditivo ractopamina na alimentação das criações (os produtores negam). Só conseguiram uma folga quando a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, acertou em uma reunião em Moscou inspeções para certificação de novos frigoríficos em 2022. Com isso, a Rússia autorizou a importação de carne bovina de três unidades produtoras, e mais nove de carne suína.

Para o especialista, os riscos no caso da China são limitados. O país asiático recebeu 70% das exportações brasileiras em 2020 e usa estratégias como o embargo também como forma de forçar os preços para baixo. “Mesmo considerando o governo Bolsonaro, que é muito aquém do que é o Brasil, a China não mistura as coisas. Como potência com pretensões globais, o longo prazo é fundamental para o objetivo deles.” Já os países da União Europeia deixaram claro que políticas ambientais vão nortear cada vez mais as relações comerciais.

DIFICULDADE Ministra Teresa Cristina na COP-26: negociações para retomar vendas barradas na Rússia (Crédito: Ueslei Marcelino)

A Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja) criticou as ameaças da UE de restringir as importações, afirmando se tratar de “protecionismo comercial disfarçado de preocupação ambiental”. Para o professor da UnB, o que os EUA, Europa e Japão esperam, assim como a maior parte dos países, é que o Brasil retome o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) criado em 2004. “A União Europeia já decidiu que não haverá Acordo Mercosul-União Europeia enquanto Bolsonaro for presidente. Isso está muito claro.”

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