Bolsa fecha em queda de 4,87%, com ‘risco Bolsonaro’; Petrobras derrete mais de 21%

O Ibovespa teve variação de 6,7 mil pontos entre mínima e máxima desta segunda-feira, algo não visto desde o pior momento da pandemia, em março, quando os ativos globais se preparavam para uma espécie de fim do mundo, e também no fim de abril, momento em que a ruidosa saída de Sergio Moro do governo trouxe volatilidade. No Brasil, a consumação da interferência no comando da Petrobras na sexta à noite e a promessa feita no fim de semana pelo presidente Bolsonaro, de que “tem mais por vir” e de que pode “meter o dedo” no setor elétrico, colocaram os ativos do País em espiral negativa desde a abertura, com dólar a R$ 5,53 na máxima do dia e perdas superiores a 20% para as ações ON e PN da Petrobras nesta segunda-feira.

Ao fim, o Ibovespa mostrava queda de 4,87%, aos 112.667,70 pontos, no menor nível desde 3 de dezembro (112.291,59), tendo chegado na mínima de hoje aos 111.650,26 pontos (piso intradia desde 2 de dezembro) saindo de máxima na abertura aos 118.388,07 pontos, com giro financeiro a R$ 84,3 bilhões na sessão, bem reforçado pelo vencimento de opções sobre ações. Em porcentual, a queda desta segunda-feira superou a de 28 de outubro (-4,25%), quando se esboçava a segunda onda de lockdown na Europa, e foi a pior desde 24 de abril (-5,45%) de 2020, dia em que o então ministro Sergio Moro deixou o cargo.

Perto do fim da sessão, a notícia de que um juiz federal de primeira instância em Minas Gerais determinou que o presidente Bolsonaro preste informações em 72 horas sobre a troca de comando na estatal levantou o temor de que a questão venha a ser judicializada, inclusive no exterior, observa um operador. Assim, na reta final, o Ibovespa voltou a perder a linha de 113 mil pontos, que havia sustentado em boa parte da tarde.

No mês, o índice da B3 passa a acumular desempenho negativo, em queda de 2,09%, elevando as perdas no ano a 5,33%. No encerramento, Petrobras ON cedeu 20,48%, a R$ 21,55, e a PN caiu 21,51%, a R$ 21,45, ambas pelo segundo dia na ponta negativa do Ibovespa – nas mínimas de hoje, foram respectivamente a R$ 21,35 e a R$ 21,40.

A decisão do governo de trocar o comando da Petrobras após os reajustes nos preços dos combustíveis tem viés negativo na análise de risco de crédito da estatal, segundo a Moody’s, enquanto, para a S&P, a interferência pode afetar a lucratividade e o fluxo de caixa da empresa. Nesta segunda-feira, casas como XP, Bradesco BBI e Credit Suisse reduziram o preço-alvo e cortaram a recomendação para as ações da petrolífera – por sua vez, o JPMorgan rebaixou a recomendação para os bonds da empresa. “Evidentemente, temos uma situação negativa não apenas para os papéis da Petrobras, como também para os ativos brasileiros em geral, levando o mercado a reprecificar o ‘risco Bolsonaro'”, diz Pedro Paulo Silveira, gestor da Nova Futura Investimentos.

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