Colégio Técnico Dom Vital em Catolé do Rocha, festeja 60 anos de existência nesta quinta-feira (14)

DOM VITAL – 60 ANOS
MENSAGEM DA DIREÇÃO

Sessenta anos é um tempo tão grande, que escrever ou falar sobre ele fica parecendo impossível. Mas, há um pensamento de Rubem Alves, cuja reflexão profunda recai bem para o Colégio Técnico Dom Vital, em seus 60 anos de existência, ao dizer: “Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escola-gaiola já é um grave problema e o que dizer de uma cidade-gaiola? Nossa cidade era uma delas.

Este pensamento, impregnado de sabedoria, acreditamos, vem bem ao encontro do que pensou Frei Marcelino ao chegar a Catolé do Rocha, em janeiro de 1959 e, ao constatar a inexistência de uma “escola para rapazes”, ágil e sabiamente, criou o Dom Vital, que de forma precária e, com ajuda da sociedade da época, passou a oferecer ensinamentos em 14 de março do mesmo ano, em espaços cedidos, professores abnegados, que deram suas forças para assegurar o processo formativo dos jovens e a consequente construção do então Ginásio Dom Vital, permitindo o “voo” libertário, com o projeto já do “AQUI SE APRENDE PARA A VIDA”, para muitos sem o acesso escolar.

E, assim, o Frei se irmanou à juventude catoleense, que unidos fizeram funcionar o Colégio, cuja trajetória educacional tem-se configurado por um processo democrático de lutas, com especialidade nos anos 60, auge da Ditadura Militar, o Dom Vital ensinou ir além, sobressaindo dos limites cerceados da liberdade de seus “pássaros”, ensinando-os a criar asas para que alçassem voos em busca de novos horizontes, de forma que a Instituição formasse verdadeiros cidadãos. O Frei resistiu, persistiu e nunca desistiu.

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Historicamente, foi construída para atender à mencionada parcela de jovens desassistidos, mas, passo a passo, os educadores e funcionários que chegaram ao Dom Vital, criaram com o Colégio um elo sólido e, de mãos dadas, fizeram uma caminhada que, hoje, orgulha e dignifica a educação catoleense. A estes, a nossa eterna gratidão: “eles fazem parte de nossa História,” São os “culpados” pelo glorioso percurso a que se chega nestes 14 de março: 60 anos não são 60 dias. É inviável fazer menções nominais, visto terem sido tantos e tantas cuja contribuição voluntária é de um valor imensurável.

O Dom Vital, conforme atestam seus registros documentais e testemunhais, tem uma história na qual, muitas vezes, além de ser fatigado pelas lutas diárias, foi perseguido por políticas governamentais equivocadas ou interessadas em “calar as vozes” que aqui recebiam formação. Mas, graças a Deus, em torno da Escola se
constituiu um batalhão, cujos soldados não permitiram que a descrença, a injustiça e a educação fossem abatidas e, além do mais, que a educação fosse mero interesse político.

Com este batalhão de professores, funcionários, estudantes, pessoas da comunidade, guerreiros e perseverantes, sempre motivados pela força de Frei Marcelino, o Dom Vital solidificou-se e foi ampliando o espaço de conquistas educacionais no transcurso do tempo, implantando, além da educação para os jovens, o primeiro Jardim de Infância catoleense, atestando também o sentimento do nosso Diretor Fundador pelas crianças, educando-as pela base. Some-se a isso a educação profissionalizante, através das oficinas com a orientação de voluntários alemães e americanos, bem como os cursos técnicos, com destaque para o de Contabilidade, que formou inúmeros profissionais, encaminhando-os para o mundo do trabalho.

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Um registro que não pode ser esquecido é que, muitos estudantes, foram beneficiados pelo coração de Frei Marcelino, visto que, pelo fato de não poderem pagar as mensalidades, eram dispensados pelo bondoso Frei, mas ninguém se prejudicava por este motivo. Em nossos arquivos, há incontáveis fichas de ex-alunos com essas observações com abonos de pagamentos por falta de recursos financeiros por parte desses estudantes. O coração do Frei era do tamanho do mundo.

Mas se era educação, o Dom Vital queria mais e mais! Escoteiros, bandeirantes, escola de artesanato, corte e costura, e, em meio a tudo isso, a banda marcial, com destaque, visto ter sido fundada no mesmo ano de 1959, com apenas três instrumentos, mas daí para cá seus ecos nunca mais calaram e, desta forma, tem levado o nome de Catolé do Rocha para vários locais, tanto no Estado da Paraíba, como no amigo e vizinho Estado do Rio Grande do Norte. Querendo ou não, a Banda Dom Vital é um patrimônio cultural de nossa Catolé! E os movimentos estudantis? E as peças teatrais? São tantos e tantas...

Hoje o Dom Vital é uma referência em educação e visamos a continuar com esse sonho começado em 14 de março de 1959, um presente do Frei para Catolé do Rocha e, dessa forma, desenvolvemos um projeto político pedagógico direcionado para a inclusão social, humanização e capacitação. Em nosso cotidiano, ensinamos dizer não à violência, trilhamos um caminho democrático para solucionar os conflitos via diálogo e elencamos em nosso tema gerador os quesitos: a preservação da família, do meio ambiente e dos valores sociais. Somos defensores do ideal da cultura da paz, pois é com ela que se firma a escola harmonizada e solidária, contando sempre com a valiosa parceria de pais, alunos, professores e funcionários.

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Enfim, é hora de agradecermos! Primeiramente a Deus que, assim como na travessia do Mar Vermelho está sempre à frente de nossa Escola e de nossas vidas separando as águas para que possamos vencer com humildade os desafios dela, mostrando caminhos, protegendo-nos, abençoando, dando saúde, esperança e livrando-nos dos males. A nossa gratidão, por nos possibilitar a contar um capítulo da História do Dom Vital em seus 60 anos. São seis décadas de conquistas, vitórias, construção, avaliação, persistência, questionamentos, mas, acima de tudo, de luta para que o AQUI SE APRENDE PARA A VIDA tivesse seu espaço e cumprisse sua missão primeira que é formar verdadeiros cidadãos para o enfrentamento com o mundo. Dar asas para que nossos alunos aprendam a voar e partam sempre em busca novos portos, para a construção de uma vida feliz….

Finalizamos, reportando-nos a Gabriel Garcia Márquez, em um relato de sua carta de despedida: “ Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.”

Nosso abraço fraterno, reconhecimento especial e abraço carinhoso a todos os que fazem a família Dom Vital em seus 60 anos de existência. Queremos apenas agradecer a todos que fizeram e fazem desta escola um espaço especial, e um lugar em que vale a pena viver! Uma escola na qual vale a pena estudar!

Catolé do Rocha – PB, 13 de março de 2019.
Muito obrigado!
Francisco, Edinete e Edenilda

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