Coluna Dr. Sebastião Costa - Sobre doidos e folclóricos: Toda cidade tem. Catolé do Rocha tinha mais!

Tinha Barda, Beijo, Biu e Barrão.

Barda, baixinha, bem comportada, trajes denunciando sua vontade de ser freira. Sua doidice estava vinculada à uma religiosidade bem acima dos padrões.
Por justiça, deveria ter sido canonizada aqui na terra. Certamente foi muito bem recebida lá no céu.

Beijo foi o mais exótico dentro do universo dos doidos da cidade.
Fixou residência embaixo de um juazeiro e sua dieta incluía camaleão, cágado, gambá e outros bichos menos comestíveis.
Só foi embora mais cedo porque sua doidice nem sequer respeitou veneno em pó.

Barrão bem mais agitado, agressivo, metia medo em adultos, crianças e adolescentes.

Biu, com a cabeça bem acima do padrão 'Rui Barbosa', ao contrário de Barrão era cheio de bom humor. Era agradável ver suas carreiras, entre gritos e risos, se equilibrando naqueles pés virados pra dentro.

Já Almino Doido, menos agitado, não fazia mal a ninguém, mas a fama de doido deixava as crianças apavoradas.

Haviam também os doidos importados.
Não se sabe de onde, nem quando, mas de repente aportou em Catolé, um doido 'inteligente' e querido: Zé Vicente
Tinha na memória o nome de toda sua família: Estatalada, Delmira, Cigana, Bolo Fofo, Caboré e Chico Labacé viado

Zé Queté, na sua doidice compulsiva por carro, foi outro importado, que de tão famoso emprestou o nome ao maior baterista da história da cidade

Quem não lembra de Tití de Bié, doido de atirar pedra nos moleques que viviam a azucrinar sua vida de doido?
Tinha o privilégio de ter muitas 'madrinhas' de alma bondosa, que o acolhiam em suas casas para lhe proteger contra os aperreios da meninada.

Guariba Sete Capas, que a memória registra como uma morena esguia, cheia de personalidade no vestir. 'Sete capas' correspondia às roupas que ela vestia uma por cima da outra, como a querer influenciar a moda na cidade.

Tinha ainda Gerinha, doida socializada, que devia gostar da vida de doida, porque vivia a perguntar às pessoas se queriam ser como ela.
Tinha um 'namorado': Justino! Também de pouco juízo, mas com muito prestígio lá pelos territórios do coronel Zé Sérgio.

Ricos, pobres e remediados foram 'inaugurados' por Santú. Carregava consigo a 'tragédia dos 3 Ps: Puta, Pobre e Preta. Mas havia altivez no seu 'rapariguismo' e talvez por isso, tenha se destacado como uma das personalidades mais conhecidas da cidade e sempre lembrada com uma certa simpatia.

Das figuras folclóricas, a memória registra com nitidez o 'carnavalesco' Totinha. Desaparecia o ano inteiro, mas no carnaval era presença garantida na praça, com sua fantasia exótica e dançando seu passo único, personalizado.

Há de se colocar nessa galeria, o 'folclórico' Caboquim, presença constante na vida de Catolé. Impossível chegar na cidade e não topar com ele ou com uma história dele.
Ia se chegando - na rua, na praça, na quermesse, e já vinha irradiando, com alguma história, o seu bom-humor inconfundível.
Tinha uma identidade muito forte com a cidade. Se alguém um dia ousar fazer uma síntese do catoleense, é injusto não lembrar da figura de Caboquim.

Nieza é um capítulo à parte.
Há de se desafiar alguém em Catolé do Rocha, com o 'prestígio' que Nieza conquistou entre os habitantes da cidade.
No seu alcoolismo criativo, espirituoso e bem-humorado, desenvolveu um nível de simpatia muito difícil de ser superado por outro catoleense.
Deixou um vazio imenso na descontração da cidade.
Suas aventuras, suas traquinagens, suas histórias carregadas de humor, merecem um dia ser registradas na memória de Catolé.

Por Dr. Sebastião Costa

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