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E-mailBenedito Rodrigues completou 93 anos, nesta quarta (13/04). Em entrevista ao Catolé News, o velho Bené fala de sua vida, dos amigos e do amor por Catolé do Rocha
Nesta quarta-feira (13), o catoleense Benedito Rodrigues de Paula completa 93 anos de vida. Benedito nasceu em 1918, no Sítio Valparaíso, zona rural de Catolé, e teve toda sua vida pautada por trabalho e amor a sua terra natal.
CONFIRA A ENTREVSITA 'NA ÍNTEGRA" QUE O REPÓRTER HUMBERTO VITAL FEZ COM BENÉ, NO DIA 12 DE OUTUBRO DE 2009, QUANDO NA OPORTUNIDADE, BENEDITO E DONA LOURDES FIZERAM 70 ANOS DE CASAMENTO, OU SEJA, BODAS DE VINHO
O dia 12 de outubro, dia da Padroeira do Brasil, dia das Crianças, é também uma data marcante na vida do casal Benedito Rodrigues de Paula e Maria de Lourdes de Paula, que completaram 70 anos de uma estável e exemplar união conjugal, e fizeram bodas de vinho.
Benedito Rodrigues de Paula, Nasceu no Sítio Valparaíso, zona rural de Catolé do Rocha (PB), em 13 de abril de 1918. Filho de Genésio Rodrigues de Lima e Jovelina Limeira de Paula.
O seu pai, Genésio Rodrigues casou-se três vezes. A sua primeira esposa chama-se Adalgisa Rosado, irmã de Dona Isaura Rosado. O pai herdou da primeira esposa o Sítio Valparaíso.
O então menino, Benedito viveu no Sítio Valparaíso, até a idade de 18 anos. Aos 04 anos perdeu a mãe, aos 10 anos, o pai. Mesmo tendo nascido em berço de ouro, após ter perdido prematuramente os seus pais, Benedito começou a encarar a vida com maiores dificuldades, tendo sofrido bastante na sua adolescência.
No dia 12 de outubro de 1939, com 21 anos, no apogeu da juventude, casou-se com Maria de Lourdes Rodrigues de Paula, a nubente com apenas a6 anos. A cerimõnia foi simples, realizada na fazenda Alto Alegre, município de Jericó (PB), de propriedade de Chico Salvino, pai de Lourdes. O casamento foi celebrado por Padre Assis.
Ao assumir a maioridade, foi residir na cidade de Catolé do Rocha, onde iniciou seus estudos primários em escolinha provisória que funcionava ao lado do Prédio da Intendência, hoje Rua Epitácio Pessoa, ao lado da Praça Sá Leitão. Seus primeiros professores foram Dona Zezita, Severiano, que depois foi para o Rio Grande do Norte e conseguiu se formar em Direito, chegando a ser Juiz de Direito e Desembargador, e Raimundo Nogueira, que depois veio a cometer o suicídio na cidade de Pombal.
Quando chegou à cidade, foi morar com um tio, Raimundo Luis Batista, que era pai de Raimundo Batista, Jornalista e ex-secretário no Governo Wilson Braga. Depois veio a estudar numa escola que funcionava na Praça Sérgio Maia, onde hoje funciona a sede da Prefeitura Municipal, tendo como professora a saudosa Dona Zulmira, onde se preparou e prestou o exame de admissão, mas não teve como prosseguir com os estudos, por falta de condições financeiras.
O seu tio era Oficial do Registro Civil, e Benedito ficou ajudando nos serviços gerais do cartório, que funcionou inicialmente na Rua Fundador Rocha, mas depois, por ser esta uma casa residencial, mudou-se para outro local. Em 1945, ele foi nomeado como escrevente do Registro Civil.
“Naquele tempo os serviços executados por um cartório eram primitivos, pra você ter uma idéia, a minha função era preencher os canhotos das certidões, isso eu fazia a manuscrito, relembra ainda emocionado, Benedito Rodrigues”.
Os estudos iniciais lhe serviram muito para exercer a função de escrevente, somando-se ao costume da leitura que lhe proporcionou um vasto conhecimento com a escrita. Não pode estudar gramática, porque não tinha dinheiro para comprar o livro, mas recorreu a umas aulas particulares com o Padre Assis, no Colégio Leão XIII.
O chefe do Serviço de Estatística, seu compadre, Cantidiano de Andrade, levava os trabalhos, uma espécie de boletins, que para época eram muito difíceis, mas resolvia tudo com precisão. Também com alguma dificuldade aprendi a fazer escrituração mercantil.
Benedito Rodrigues de Paula foi nomeado tabelião do cartório de Registros em 1949.
Em 1947, Francisco Rosado Maia, foi eleito prefeito de Catolé do Rocha, se tornando o segundo prefeito constitucional de Catolé do Rocha, eleito pelo voto popular. Era filho de Francisco Sérgio Maia (Chico Sérgio), e neto de Sérgio Maia de Vasconcelos, que o indicou candidato. Em 12 de Outubro daquele ano, Rosado assumiu a prefeitura do município, e atendendo a um convite de Doutor Américo Maia de Vasconcelos, e de seu avô, Sérgio Maia, nomeou Benedito Rodrigues de Paula, para ser o Secretário Geral do Município (uma espécie de sub-prefeito, já que naquela época não tinha um organograma administrativo, ou seja, apenas um secretário era nomeado para comandar todas as pastas da administração pública).
Benedito Rodrigues trabalhou durante os quatro anos da gestão de Francisco Rosado, que entregou a prefeitura a José Sérgio Maia, o seu sucessor, que havia vencido o seu oponente, o médico Bernardino Soares Barbosa, Dr. Sândi, que já havia sido prefeito nomeado em meados da década de 40.
“Naqueles tempos ser um prefeito, administrar uma cidadezinha no sertão era uma tarefa difícil. O gestor não tinha praticamente receita, já que não dispunha ainda do Fundo de Participação dos Municípios, e convênios, tudo era bancado com a arrecadação local, comenta seu Benedito".
Disse ainda: “Rosado pavimentou um pedaço da Avenida Venâncio Neiva, no trecho saindo da Cooperativa dos Irrigantes até o Casarão de Américo Sérgio, onde hoje funciona o Cartório os cartórios e a Rádio panorama, aproximadamente uns 900 metros de calçamento em paralelepípedos”.
José Sérgio Maia foi o terceiro prefeito eleito do município, conseguindo se eleger numa das eleições mais difíceis e acirradas da história, já que contou com desavenças dentro da própria família, e enfrentou o prestígio de Dr. Sândi, que tinha o apoio do bloco liderado por Rui Carneiro, e o poderio da família Suassuna.
A eleição de José Sérgio Maia marcou um novo tempo na história, já que nascia ali, um novo líder político que deu início a uma nova dinastia na política da região de Catolé do Rocha. No embalo desses novos tempos, nascia também uma sincera e recíproca amizade entre Benedito Rodrigues e José Sérgio, tornando-se uma espécie de fiel aliado e escudeiro, já que, Bené, foi Secretário nas três primeiras administrações de José Sérgio Maia (1951-1955, 1960-1965 e 1973-1976), também por indicação do amigo José Sérgio, exerceu o mesmo cargo ma administração de Manoel Abrantes Nobre (1977-1982). Não chegou a trabalhar diretamente ou como secretário na administração José Sérgio IV (1989-1992), já segundo o próprio Benedito Rodrigues, deixou a política por cansaço e alguns fuxicos, mas participava indiretamente através de consultas e boas conversas que tinha com o velho amigo.
“Eu consegui ser político sem inimizar, participei de algumas campanhas, difíceis, exaltadas, mas nunca fiz inimigos pessoais, cheguei à velhice sem ter uma inimizade com ninguém. Dr. Sândi, por exemplo, era nosso ferrenho adversário político, mas ele freqüentava sempre a minha casa e nunca alimentei nenhuma inimizade política ou corriqueira para com ele, disse.”

“José Sérgio foi um político exemplar, tinha zelo pelo erário público, pra você ter uma idéia, nem gasolina ele colocava no seu carro com o dinheiro da prefeitura, caso raro nos dias de hoje”.
“Zé Sérgio foi um desbravador, um administrador que se preocupava muito com o seu município, com a sua gente”.
“Em obras e benefícios, podemos destacar inúmeros, sendo as principais: abriu a Avenida Deputado Américo Maia, que se tornou a principal via de acesso à cidade, corredor urbano que ligou a zona norte a zona sul, abrindo as portas para o desenho urbanístico da nossa Catolé. O progresso da cidade começo com a abertura dessa avenida. Levou o telefone e abastecimento d’água singelo para todos os Distritos do Município.
Em suas passagens pelos mandatos de José Sérgio na função de administrador adjunto, teve algum fato que o senhor destacaria na área financeira?
Na construção do Mercado Público Municipal, uma obra gigantesca para a época, já havia concluído dois blocos do mercado e mais o bloco o açougue público, e o dinheiro acabou, daí Zé Sérgio, bastante preocupado, me disse que iria parar a obra, por falta de recursos. Mas eu lhe tranqüilizei, dizendo que dava uma garantia de em 60 dias, levantaria o dinheiro para pagar o restante das despesas com a obra, e então ele concluiu a construção do terceiro pavimento, inaugurou, e eu consegui o recurso e quitei todos os pagamentos.
Como era a sua relação direta com José Sérgio?
“A minha relação com Zé Sérgio era de respeito mútuo, consideração e lealdade. Na administração eu resolvia muita coisa, mas sempre com o seu aval. Fazia a relação de todos os pagamentos, e ele me dava o cheque em branco, tinha uma enorme confiança no meu trabalho”
Como foi a sua convivência com outros políticos e lideranças do grupo de José Sérgio?
JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA – Era um homem muito culto, inteligente, mas muito rancoroso. Lembro-me, que certo dia, encontrei com ele na casa de José Sérgio, numa visita que fez a Catolé do Rocha, e disse-lhe: “O Senhor vai perder a eleição para Rui Carneiro”. Ele ficou um pouco trêmulo, decepcionado, mas não quis questionar a minha colocação. E disse-lhe novamente; “Desculpe-me a fraqueza, mas vejo a sua eleição ameaçada pelo simples fato de que o povo está se afastando do senhor.”
JOÃO AGRIPINO FILHO - Convivi muito bem com João Agripino, um político excepcional. João era pacificador, leal, austero, e não gostava de perseguições, aliada ainda a sua honestidade e visão futurista.
RUI CARNEIRO – “Não tive contato com a pessoa de Rui Carneiro, mas sempre ouvi falar que era um homem calmo, cauteloso, muito sábio. Ao contrário de Rui, o seu irmão, Jandui, era mais exaltado”.
DR. AMÉRICO MAIA - Com Doutor Américo, que era meu compadre, aliás, foi ele que fez o parto da minha filha, Celina, tinha uma amizade de gratidão e respeito.
BIU FERNANDES – Biu sempre foi um rapaz bom, direito, mas na política foi muito ingênuo.
MANOEL ABRANTES - Manoel Abrantes era uma pessoa boníssima, honesto, muito direito, mas não tinha tino administrativo, mesmo assim, construiu algumas obras e também deixou a sua marca na história política de Catolé do Rocha. Era meu amigo particular.
Por que o senhor deixou a política?
Porque eu quis. Tive alguns aborrecimentos, uns fuxicos, daí achei que era hora de deixar a vida pública e me dedicar aos meus afazeres. Não guardo mágoa de ninguém.
A sua vida foi pautada por muito trabalho. Qual o balanço que faria de todas as atividades profissionais que exerceu?
Trabalhei inicialmente na roça, depois fui escrevente. No cartório trabalhei 20 anos como tabelião e mais 22 anos como servidor público municipal, na função de Secretário Geral da Prefeitura de Catolé do Rocha. Paralelamente a estas atividades, sempre gostei da agropecuária, e mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos no sertão, já que não temos incentivo nenhum, mantive presença no campo, faz parte das minhas origens.
Qual o princípio básico para o sucesso profissional do homem?
Vejo na família, o pilar de sustentação que nos faz alcançar o sucesso, o que nos dias de hoje está ficando mais raro. A falta de respeito, para com as pessoas do convívio no cotidiano, tem sido um elo negativo para a formação moral e consequentemente alcançar êxitos. Mesmo assim eu aprendi com o tempo, gosto de respeitar as pessoas como elas são. Compreendendo o a maneira de pensar e de ser de cada um. Outro fator preponderante é cultivar o saber, e isso se faz através de uma boa educação.
Neste dia 12 de outubro, comemoramos duas datas importantes: o dia das crianças e o dia da padroeira do Brasil. Já o Senhor comemora outra data especial, o aniversário de matrimônio. Fale do seu casamento.
No dia 12 de outubro de 1939, eu me casei. Tinha 21 anos e Lourdes (Maria de Lourdes Rodrigues), apenas 16. Casamos-nos na fazenda Alto Alegre, município de Jericó (PB), de propriedade de Chico Salvino, meu sogro. Foi um dia muito especial, mas tivemos uma cerimônia simples. Meu casamento foi celebrado por Padre Assis, que já não vive mais conosco, e uma das testemunhas do meu casório ainda está viva, trata-se de Dona Marluce, sogra de Doutor Ricardo. O detalhe interessante desse dia 13 de outubro foi que eu me casei no período da tarde, e a noite, o Exército Brasileiro (através do rádio), convocou a Classe de 18, eu tinha nascido em 1918, e estava certo que iria embora, para lutar na Segunda Guerra Mundial. Sabendo disso eu me casei antes de embarcar, para a 1ª Região Militar que era no Rio de Janeiro, mas pra minha felicidade no outro dia o exército nos dispensou.
Qual o segredo da longevidade matrimonial?
Para um casamento da certo tem que ter compreensão das duas partes. Minha esposa tinha apenas 16 anos e era órfão de pai e mãe, e eu tinha 21 anos, e também era órfão de meus pais, mas agente foi se entendendo, às vezes eu era um pouco áspero, rígido (coisa daqueles tempos...risos), mas agente se entendeu e estamos aqui contando a história depois de 70 anos de convivência juntos.
E a família?
Aos 18 anos, Lourdes já era mãe. Tivemos apenas uma filha (Celina), e procuramos educá-la e ensinar tudo de bom pra ela. Como tivemos somente uma filha, ajudei também a criar os meus netos, principalmente na questão da educação, e consegui, já que todos os três são formados. Uma das coisas que sempre primei foi à educação, essas outras coisas não vale nada, a educação sim, é quase tudo na vida de uma criatura.
Qual o conselho que o Senhor daria a um casal nos dias de hoje para procurar viver juntos tanto tempo assim?
A compreensão mútua é a melhor maneira de se conviver melhor. Um homem e uma mulher não pensam iguais, são pensamentos diferentes, então tem que haver o entendimento, a razão antes da emoção.
O Senhor participou ativamente da história de Catolé do Rocha, quais foram os pontos marcantes que destacaria no contexto histórico de nosso município?
No início da década de 30, Dr. Américo Maia de Vasconcelos foi nomeado Prefeito de Catolé do Rocha, e administrou o município de 1930 até 1935, quando passou o cargo para o seu primo Dr. João Sérgio Maia. Numa época difícil e de recursos escassos, Dr. Américo teve uma primeira visão futurista da cidade, que naquele período foi enfim emancipada (Catolé do Rocha foi emancipado em 26 de maio de 1935), ele rebaixou as calçadas altas das casas e casarões da Praça Sérgio Maia, permitindo um melhor aproveitamento do contexto urbanístico do local, propiciando uma melhor pavimentação das ruas que circundam aquele logradouro, e o passeio que rodeia os jardins da praça, além de colocar uma iluminação que funcionava a carvão, uma espécie de candeeiros. E assim a Praça Sérgio Maia foi por muito tempo o cartão postal da velho Catolé do Rocha.
Outro fato, desta feita de natureza desagradável, foi à morte de meu compadre Catidiano de Andrade, ocorrido em 1956. Eu era da diretória do clube, e deveria estar no sodalíciio na noite daquela festa onde ocorreu a tragédia. Mas estava com minha esposa (Lourdes), no Sítio Valparaíso, conversando com a mãe de Dr. Segundo, e perdi a festa. Na verdade tive um receio de participar daquele evento, confesso que temia por minha vida, tinha a impressão que se estivesse na hora do ocorrido, eu também teria sido assassinado. Daquele dia em diante, tomei a precaução de não participar de festas populares, principalmente de comícios. Da campanha de José Américo para cá, nunca mais fui a um comício de nenhum partido.
Em 1947 fundamos a sociedade mantenedora da Maternidade Silva Mariz, e em 1958 ela começou a funcionar. A maternidade foi construída num terreno que pertencia ao Senhor Terto Sapateiro, compramos, demolimos o cemitério que ficava na frente, e entregamos a Catolé do Rocha uma obra prima.
Participei ativamente e como voluntário do processo de fundação da Maternidade Silva Mariz, Colégio Normal Francisca Mendes, Hospital Dr. Américo Maia de Vasconcelos e outros.
A construção do Colégio Normal Francisca Mendes foi o marco na educação dessa região?
Sempre louvei a atitude nobre de Mendes Ribeiro em construir o Colégio Normal Francisca Mendes, que de fato, impulsionou não só a educação, como também o progresso e a cultura dessa região que Catolé do Rocha polariza. Mas não podemos esquecer também da Escola Agrícola do Cajueiro, que foi construída pelo Governo Federal, numa área de terra comprada pelo então prefeito José Sérgio Maia e doado para a construção.
A morte de Cantidiano teria sido um dos fatos mais triste da nossa história?
A morte de Cantidiano foi uma monstruosidade, um fato lamentável, o destino poderia ter nos poupado dessa crueldade. Cantiano de Andrade era um moço bom, amigo e só fazia o bem, foi um dos idealizadores de muitos eventos culturais de nossa cidade, não merecia ter tido aquele fim tão trágico.
Qual seria outro fato negativo que marcou a nossa história?
Tudo que se refere à violência deixa seqüelas inapagáveis. No Governo de José Américo, aconteceu um tiroteio na cidade, com maior intensidade, nas proximidades da Praça Sérgio Maia, foi um terror, balas iam e vinha, e a população ficou em polvorosa. A falta de compreensão e a arrogância de algumas pessoas motivaram aquelas cenas tristes.
Catolé do Rocha sempre foi marcada pela violência, como o Senhor conviveu com esse lado negativo de nossa terra?
Prefiro não entrar em detalhes, não comentar especificamente o assunto, me resta somente a lamentar e dizer que a violência não constrói nada de bom. Mas na administração do Governador João Agripino Filho, tivemos uma trégua. João Agripino apaziguou o clima de tensão que vivia as famílias Maia e Suassuna. O governador fez uma visita à casa de Silvio Suassuna, que era o líder da família na época, e fez uma espécie de pacto. Sílvio cumpriu a parte dele e os maias também se integraram a este pacto. Durante o governo de JÁ não houve nenhuma briga entre as famílias Maia e Suassuna. E mais, Agripino convidou Lucas Suassuna (filho do ex-presidente da Parayba, João Urbano Suassuna), para ser um dos seus secretários de governo.
No episódio do movimento revolucionário de 1969 (Os Guerrilheiros do Capim-açú), o Senhor teve alguma participação em conjunto com José Sérgio para evitar a propagação das idéias comunistas em nosso município?
José Otávio não foi preso agradeça a mim. Eu tive uma conversa com Zé Sérgio, ali no beco do cartório, e avisei pra ele, que tirasse Zezito daqui que ele iria ser preso em instantes.
Como o Senhor ficou sabendo da operação que iria prender os subversivos ao regime militar?
Uma pessoa lá de cima (Exército), que tinha a ordem de prisão nas mãos, passou para um amigo meu e este me avisou. Por ser muito amigo da família, avisei para que ele retirasse imediatamente o seu filho se não ele iria ser preso.
E Frei Marcelino, qual seria a participação dele nesse movimento de guerrilha local?
Zé Sérgio deu muito apoio a Marcelino, ajudou muito no princípio de suas ações em prol da comunidade, mas depois veio o troco. Marcelino armou uma verdadeira revolução contra Zé. Ele incentiva as famílias a brigaram, por exemplo, tinha casa que a mulher votava em Biu Fernandes, que era candidato de Zé Sérgio, e o marido votava no frei. Em outra acontecia o inverso, de modo que estava desestabilizada a harmonia política dentro de muitos lares catoleenses.
Segundo dados do IBGE, tivemos uma melhora nas condições de vida dos nordestinos, especialmente a do sertanejo. O Senhor também acredita nas estatísticas? Como analisa a administração do presidente Lula?
A vida melhorou muito, hoje as coisas estão mais fáceis. A educação, a saúde, o trabalho, tudo isso teve uma melhora significativa. Mas ainda falta muita coisa, principalmente na educação de nossa gente, temos que erradicar o analfabetismo, para poder chegar a ser um país de primeiro mundo. O presidente Lula, até que está ajudando a população mais pobre, com a distribuição do Programa Bolsa Família, mas o povo não vai viver a vida toda de esmolas.
Vejo que o Senhor fala muito em educação. É a sua bandeira de luta?
O meu lema sempre foi educação. Dentro de casa, na prefeitura, na rua, onde quer que eu esteja vou sempre defender uma boa educação. O sujeito não vai a lugar nenhum sem uma boa formação. A educação, e uma boa estrutura da familiar, levam o homem a conquistar os seus ideais.
Nos últimos 20 anos a cidade de Catolé do Rocha deu um salto importante no empreendedorismo? Quais seriam as principais razões para essa nova visão?
A educação foi o fator preponderante. Os nossos filhos vão tendo educação de qualidade muda a visão, aparece à idéia do empreendedorismo como fonte sustentável. Melhora a qualidade de vida de quem empreende e de quem trabalha para o empreendedor, com isso ganha à cidade, o povo e as instituições governamentais. Além dessa fase de implantação das fábricas, e do crescimento do nosso comércio, eu vou voltar um pouco no tempo, para destacar a fundação das escolas e colégios, hospitais, urbanização da cidade, que propiciaram a chegada do progresso. Uma coisa boa puxa outra. A cidade tomou outra feição.
Quais foram os maiores líderes mundiais que o senhor destacaria?
Os americanos Abraham Lincoln e Franklin Delano Roosevelt. Lincoln lutou pela libertação dos escravos, e Roosevelt tirou os estados Unidos da grande depressão.
E os dois maiores sanguinários da nossa história?
Adolf Hitler e Josef Stalin teriam sido os dois sanguinários que a humanidade não vai esquecer.
Quais os nossos maiores estadistas?
No passado eu destacaria o Juscelino Kubistchek como o grande estadista brasileiro, um homem democrático, de muita visão. E no momento vejo o senador Pedro Simon como um exemplo de homem público.
FRASES MARCANTES DE BENEDITO RODRIGUES DE PAULA
“José Sérgio pensava sempre no bem da causa pública, da coletividade, ele não usava nada que não pertencesse a ele.”
“José Sérgio foi um político exemplar, tinha zelo pelo erário público, pra você ter uma idéia, nem gasolina ele colocava no seu carro com o dinheiro da prefeitura, caso raro nos dias de hoje”.
“Zé Sérgio foi um desbravador, um administrador que se preocupava muito com o seu município, com a sua gente”.
“Frei Marcelino foi um agitador de massa, isso ninguém pode negar”.
“Daqui a cem anos não teremos mais um governo como o de João Agripino Filho”.
“Sempre fui veemente contra a perseguição política. Acho que o pobre que ganha um salário mínimo não deve ser removido para canto nenhum”.
“Quando o eleitor não se aproxima do político, é um forte presságio de que ele vai perder a eleição”.
“Eu estou muito decepcionado com a política. Acho que os políticos deveriam legislar ou administrar em prol da nação, mas infelizmente a maioria deles só visa à causa própria”.
“A educação, e uma boa estrutura da familiar, levam o homem a conquistar os seus ideais”.
“O cidadão não vive a vida toda de esmolas. Quando se dar educação descente a sua gente, o país cresce e aparece”.
“Vejo na leitura uma forma sábia de passar o tempo”.
“Um homem e uma mulher não pensam iguais, são pensamentos diferentes, então tem que haver o entendimento, a razão antes da emoção”.
“Eu consegui ser político sem inimizar, participei de algumas campanhas, difíceis, exaltadas, mas nunca fiz inimigos pessoais, cheguei à velhice sem ter uma inimizade com ninguém”.
“Deus foi bastante generoso comigo. Nasci despido, depois cheguei a possuir apenas uma roupa, mas com muita fé, trabalho, e dedicação consegui vencer na vida, criar e educar minha família, olhar para trás e ver que tudo valeu à pena”.
“Leomar Maia cometeu um crime grave quando fechou a Maternidade Silva Mariz. Principalmente ele sendo médico, jamais poderia ter feito isso. Aquilo foi um absurdo, não era pra ter acontecido esse desastre”.
Por: Humberto Vital/Catolé News - (83) 8851.1734 - E-mail: catolenews@gmail.com
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