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E-mailA Presidente do Magazine Luiza mostra como o consumo pode ser uma forma de inclusão e cidadania.
Ela conseguiu transformar algumas lojas do interior de São Paulo em uma rede varejista de mais de 450 lojas por sete estados (sem contar os pontos da rede de lojas Maia, recém-adquirida pelo grupo), foi pioneira no comércio eletrônico e planeja faturar R$ 15 bilhões em 2015. Luiza Helena Trajano, casada e mãe de três filhos, natural de Franca, interior paulista, começou a trabalhar nas lojas dos tios durante as férias, aos 12 anos, e hoje é presidente do Magazine Luiza, que briga com gigantes como Ponto Frio e Casas Bahia pelos sonhos de consumo das classes em ascensão. Ela se diz otimista quanto ao futuro do Brasil e defende que “todos têm sonhos e direito ao conforto”.
1 – Como começou a sua história no Magazine Luiza?
O Magazine Luiza foi fundado por meus tios, Luiza Trajano Donato e Pelegrino José Donato, há 53 anos. Começou com uma pequena loja em Franca (SP). Eu comecei aos 12 anos, trabalhando nas férias escolares, pois gostava de dar presentes para meus amigos e minha mãe me orientou a trabalhar para conseguir dinheiro. Mais tarde, fazia faculdade à noite e trabalhava durante o dia. Em todo esse tempo de casa passei por todos os cargos na empresa até que, em 1991, assumi a superintendência. Meu principal trabalho, desde então, foi conduzir a equipe a pensar diferente e quebrar paradigmas. Esta postura nos fez responsáveis por inovações no varejo, como as lojas virtuais, liquidação fantástica e no modo como gerir a equipe. Por isso, estamos há 13 anos entre as dez melhores empresas para se trabalhar do Brasil.
2 – Por que o Magazine Luiza se dedicou primeiro às vendas virtuais?
Tínhamos uma equação para resolver: colocar lojas em cidades menores que não comportavam a estrutura de uma grande loja convencional. Criamos as Lojas Eletrônicas Luiza com o slogan: “O Magazine Luiza traz para sua cidade a loja do ano 2000”, isso em 1993, antes de existir computador multimídia. As vendas eram através de televisores com videocassetes e catálogos. Depois migramos para o computador e transformamos em lojas virtuais. Também fomos pioneiros na criação do nosso site de vendas.
3 – Você diz que um dos seus conceitos é o “de sempre se colocar no lugar das pessoas”. Como isto funciona?
No crachá de nossa empresa está escrito: “Faça para os outros o que gostaria que fizessem para você.” Desde o mais simples colaborador até um diretor têm a obrigação de refletir sobre o que estamos fazendo em nossas relações dentro da empresa e com nossos clientes. Eu me considero uma vendedora. Adoro vender e estar em contato com a ponta. Todos sabem que tem uma linha direta comigo, podem entrar em contato a hora que quiserem. Também procuro passar pelas lojas para trocar experiências com eles.
4 – Qual é a explicação para uma expansão tão grande da rede? A concorrência também é muito forte?
Toda concorrência é positiva. Estamos colhendo os frutos de um planejamento realizado com consistência. No primeiro semestre crescemos cerca de 35% e vamos continuar nesse ritmo.
5 – Mais de 10 milhões de brasileiros migraram das classes “D” e “E” para a “C” nos últimos 5 anos. A que a senhora atribui essa ascensão? O que estes consumidores emergentes desejam?
O Brasil tem crescido muito e temos um cenário favorável para continuar nesse ritmo. Graças a isso estamos verificando um aumento de renda em todas as classes. Na medida em que as condições financeiras da família melhoram os sonhos aumentam. Temos um grande mercado de bens essenciais, como a máquina de lavar roupa. Mas famílias também gostam de conforto, há um grande aumento de vendas de tevês de tela grande, LCD e plasma.
6 – Essa euforia pode fazer com que as pessoas gastem mais do que podem. Qual é a porcentagem de inadimplentes entre os seus consumidores?
Temos um percentual muito pequeno, pois temos um bom sistema de análise e aprovação de crédito. Notamos que com o aumento da renda parte dos endividadas está colocando seus compromissos em dia.
7 – Na família, quem mais influi na hora de escolher como gastar?
Na compra de eletroeletrônicos para a casa, a decisão na maioria vem das mães.
8 – A senhora enxerga o consumo como forma de inclusão e cidadania?
Sim, todos têm sonhos e direito ao conforto. Imagine a compra de uma máquina de lavar roupa para uma mulher que trabalha fora o dia todo, numa grande cidade, que sai cedo para trabalhar e retorna à noite. A máquina é uma necessidade, não um luxo. Por isso tenho lutado muito para baixar a alíquota do IPI desse produto que, hoje, é de 20%, para mais pessoas terem acesso a esse bem. Computadores também podem ser vistos como forma de inclusão e cidadania.
9 – O Magazine Luiza concentra boa parte de seus esforços na venda de computadores. Mas não falta ao País uma política de inclusão digital?
O Brasil tem progredido muito nesse sentido e tende a melhorar. O acesso ao computador é cada vez maior, é um bem necessário para toda família. Mesmo com internet sem banda larga ele garante aos jovens a inclusão e o acesso a conhecimentos necessários no mercado
de trabalho.
10 – As eleições podem frear o crescimento da classe média?
Não. Sou uma defensora do Brasil e acredito que estamos num ritmo de crescimento em que esses fatores não freiam a economia. Viveremos uma década de muito crescimento, mas algumas decisões políticas, como a reforma tributária, podem colaborar ainda mais para o acesso da população a bens essenciais.
Por Andrea Dip - Jornal Folha Universal
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