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Entrevista da Semana

6 de Junho de 2016 Humberto Vital - 1709 pessoas já leram.


A Liga entrevista 'Popeye' o braço direito de Pablo Escobar

A Liga viajou pela América Latina para desvendar o mundo do narcotráfico e nesta segunda-feira, dia 6, mostra os bastidores deste universo de crimes e negócios ilícitos que movimenta bilhões de dólares por ano.

Um dos pontos altos desta edição, é a entrevista exclusiva com o braço direito de Pablo Escobar e seu assassino de aluguel número um. Jhon Jairo Velásquez Vásquez, o 'Popeye', conversou com Mariana Weickert e explicou detalhes sobre as mais de 3 mil mortes pelas quais foi o responsável. 

Ignacio Iglesias, produtor da atração, contou ao Portal Band as exigências feitas pelo criminoso para que a matéria fosse realizada e como a equipe se sentiu intimidada ao se aprofundar no submundo do mais famoso narcoterrorista da história:

Mariana Weickert com Popeye, braço direito de Pablo Escobar / Divulgação/Band

 

Como foi feita a negociação para conseguir fechar essa entrevista com o braço direito de Pablo Escobar? O entrevistado fez alguma exigência? Quem fez o primeiro contato?


O primeiro contato foi feito por mim. Um jornalista de Bogotá me passou o contato dele e liguei. Pelo fato de que Popeye é símbolo da barbárie daquela época e porque realmente não fala muita coisa por telefone, a conversa teve que ser levada aos poucos. Foram duas semanas de ligações e mensagens por WhatsApp. Ele é muito cuidadoso com o que fala por essas vias. Quando chegamos em Medellín, fomos advertidos que o Popeye não costumava fazer entrevistas grátis e que podia cobrar até US$ 10 mil dólares. Nunca pagamos por uma entrevista. Popeye não tinha nem mencionado o assunto, a única coisa que sabíamos era que gravaríamos na sua casa, mas nem o endereço nós tínhamos. A gente se encontrou no lobby do hotel. Ele é uma celebridade por lá. Algumas pessoas se aproximavam para cumprimentar, felizes em dar a mão para ele, tirando fotos... Outras se afastavam com espanto e medo no rosto. É um personagem muito forte para Medellín. Nessas duas horas de conversa, ele se soltou. Gostou da proposta, entendeu que A Liga é um programa que aborda os temas de uma forma diferente. Ficou claro que ele não cobraria pela entrevista. Ainda assim, ele não quis nos passar nenhum endereço. A instrução era para o encontrássemos em um centro comercial no dia seguinte às 8 da manhã. Ele deixou bem claro que não poderia ser na rua, porque era muito perigoso para ele e para nossa equipe também. 

Houve algum contato e/ou interferência da Polícia para realizar a matéria? Vocês tiveram proteção extra?


Não houve contato com a Polícia. Nestes casos é mais seguro não pedir escolta nem envolver ninguém que não seja parte da equipe. Nada que possa trazer mais violência a uma situação que já é perigosa por si só. Também não podíamos avisar ninguém aonde iríamos porque não sabíamos qual seria nosso destino. Éramos só eu, Mariana e o cinegrafista Fabrício. 

Como o entrevistado recebeu a equipe?


No dia da entrevista, ele foi muito educado. Nos recebeu muito bem, em todo momento foi muito amável. Mas a realidade é que intimida, e muito. A Mariana [Weickert] fala uma coisa na reportagem que acerta no ponto. Apesar de ele ser muito amável, as coisas que conta são de uma monstruosidade enorme e o fato de que ele as conta com um sorriso no rosto te deixa apreensivo. A sensação nessas horas, em momento algum, foi de estar confortável. Muito pelo contrário.

O clima foi tenso?


Foi tenso. No encontro, na rua, na viagem de carro e na casa. No apartamento dele o clima mudava, foram mais de três horas de entrevista. 

O sujeito assume 3 mil homicídios; está em prisão domiciliar mesmo assim? Não deveria estar em segurança máxima?


Ele não está em prisão domiciliar, mas em condicional. Fez uma delação premiada e foi liberado. Ainda não pode sair do país, mas pode se movimentar livremente. Só não faz isso porque tem muitos inimigos circulando. Ele foi preso, a princípio, só por 7 anos. Ele se entregou junto com outros do cartel antes do Pablo Escobar morrer. Só que, na cadeia, acabou levando perpétua. Ele fala que foi "traído" pelo estado, mas acabou saindo porque fez uma delação premiada colocando generais, delegados, deputados e juízes corruptos na cadeia. 

Foi uma das produções mais complicadas? Demorou muito pra sair do papel?


Foi complicada, sem dúvida, mas não demorou muito para sair do papel porque estávamos com pouco tempo. Tivemos que correr.  Não dava também não para planificar como outras matérias de A Liga, por ser um tema delicado. A gente tentou se informar com outros jornalistas da região para entender os possíveis perigos e nossa própria experiência no programa ajudou. Sabíamos os assuntos que queríamos abordar, mas só confirmamos a pauta no dia anterior à gravação.

 

O programa A Liga vai ao ar todas as segundas-feiras, às 20h45, na tela da Band

 

Portal Band



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