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E-mailPor onde anda em Presidente Prudente, o técnico Toninho Cecílio escuta parabéns pela conquista de uma vaga na semifinal do Paulistão. O retrospecto dele no comando do Grêmio o faz merecedor disso tudo. Afinal, sob o seu comando, o time do interior venceu todos os jogos e disparou para o G-4. Com 100% de aproveitamento, o ex-dirigente do Palmeiras ainda faz questão de avisar que não está apenas de passagem.
- Não estou nessa carreira para ser mais um. Eu preciso vencer, eu preciso ganhar. Só permanece bem sucedido nessa carreira quem conquista alguma coisa - comentou.
As frases de efeito e cheias de confiança norteiam o discurso de Toninho Cecílio, já recuperado da pressão que sofria quando gerente de futebol do Verdão. Mas isso já é passado. Voltar a trabalhar na direção de um clube, nunca mais. Agora ele quer é brigar de igual para igual com os grandes do estado na busca pelo inédito título.
Depois que pendurou as chuteiras, em 2001, pelo Santo André, adversário do Prudente neste domingo, às 18h30m, pelas semifinais do Estadual, Toninho teve passagens como treinador por Paraguaçuense e Guaratinguetá, e como dirigente por Portuguesa Santista, Fortaleza e Palmeiras. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com Cecílio:
GE - Você assumiu o Grêmio Prudente há seis jogos. De lá para cá venceu todos e ainda levou o time à semifinal. Quais foram os jogos chave?
Toninho Cecílio - Certamente os contra Corinthians e Portuguesa. Eram os dois clubes que estavam na nossa frente quando eu assumi, diante do Paulista, em Jundiaí. Achei bom isso, porque só assim teríamos a chance de passar e brigar pelo G-4. Então, vencemos o Corinthians e colamos lá em cima. Na rodada seguinte, nós ganhamos do Mogi Mirim e eles perderam do Paulista. Pronto, passamos e começamos a pensar: ninguém tira mais da gente. Mas ainda tinha a Portuguesa, no Canindé. Um empate seria muito ruim, mas nós ganhamos. O grupo se uniu em torno de um objetivo.
GE - E agora dá para brigar de igual para igual com o Santo André? E mais: se passar para a decisão, dá para derrubar Santos ou São Paulo?
Tranquilamente. Contra o Santo André eu acho que será um jogo muito igual, porque as duas equipes são formadas na base do grupo, tem o mesmo posicionamento em campo. Vai ser um jogo interessante. Santos e São Paulo estão acima da média, mas eu tenho de saber usar as armas que tenho para enfrentá-los em caráter de igualdade. E tem uma coisa: nenhum dos outros três times das semifinais vai estar emocionalmente melhor que a gente. Pode até estar igual, mas melhor não. Superioridade até existe, porque eles têm elenco há mais tempo. Mas não mete medo.
GE - E quais são as suas pretensões na retomada como técnico de futebol?
Não estou nessa carreira para ser mais um. Eu preciso vencer, eu preciso ganhar. Só permanece bem sucedido nessa carreira quem conquista alguma coisa. É um meio muito restrito. São 20 clubes para você trabalhar na Série A e mais 20 na Série B. Eu já tinha decidido, antes mesmo de me desligar do Palmeiras como gerente, que em dezembro de 2010 voltaria a ser técnico. Apenas antecipei um pouco isso.
GE - O que dá mais desgaste: ser dirigente ou treinador?
Ser dirigente desgasta muito mais, porque você não tem horário para nada, é envolvido em vários problemas. Por outro lado, o acúmulo de funções te dá uma grande experiência. É por isso que eu aceito o imediatismo de querer mandar um técnico embora após três resultados ruins, mas eu também exijo profissionalismo. Não dá para eu, como treinador, pedir prazos. Se não tiver resultado, tem de sair mesmo.
GE - Pelo jeito você não pretende mais voltar a ser dirigente?
Não mesmo. Fui dirigente em um período da minha vida que tinha idade para isso, para aceitar e protelar a minha carreira como treinador. Aceitei ser gerente do Palmeiras porque sabia que seria interessante, como foi para outros treinadores que foram dirigentes, como Dorival Júnior, Caio Júnior, Mário Sérgio... Mas agora, com 42 anos, o mercado precisa me ver absolutamente como treinador.
GE - Você já tem contrato com o Grêmio Prudente para o Brasileirão? Já tem em mente um planejamento para a disputa da Série A?
Meu acordo vai até dezembro de 2010. Mas jamais vou tratar de um assunto como esses em um momento decisivo como agora, mas a minha função é levar para a diretoria um planejamento para o Brasileiro. Até porque, depois dessas semifinais, alguns jogadores devem sair. E eu não sou de parar carreira de atleta. Quero que todos sigam as suas vidas e sejam felizes.
GE - Mas é seguro para um treinador em começo de carreira pegar um time iniciante na elite do futebol nacional? Acha que vale a pena?
Não tem como assumir um Grêmio Prudente na Série A sem riscos. Mas eu não trabalho com insegurança. Existe o temor de começar mal e tudo mais, mas isso ninguém precisa me dizer, eu sei, fui dirigente. É preciso ser forte. É lá que você aparece.
Fonte: Globoesporte.com
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