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Médio Piranhas

1 de Março de 2010 Humberto Vital
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Depois de várias notícias ruins, sobre a atuação de políticos, da imprensa e de fatos policiais, pelo menos uma informação positiva sobre o município de Pombal, será veiculada em rede nacional de televisão, nos próximos dias.

Uma equipe do programa “Globo Rural”, da TV Globo, encontra-se em Pombal, desde a manhã de sexta-feira (26), para fazer uma reportagem sobre Leandro Gomes de Barros, considerado o pai do Cordel brasileiro.

Na manhã deste sábado (27), os jornalista estiveram no centro da cidade, na feira livre, realizando entrevistas com populares, como mostram as fotos acima (clique para ampliar e ver todas), tiradas por José Tavares de Araújo e gentilmente cedidas à rádio LIBERDADE 96 FM.

O dia de exibição da reportagem ainda não tem data prevista.

LEANDRO GOMES DE BARROS

Nasceu no sítio Melancia, zona rural de Pombal, no dia 19 de novembro de 1865 e morreu no Recife, em 4 de março de 1918.

É considerado por alguns como o primeiro escritor brasileiro de literatura de cordel, tendo escrito mais de 230 obras.

No seu tempo, era cognominado “O Primeiro sem Segundo”, e ainda é considerado o maior poeta popular do Brasil em todos os tempos, autor de vários clássicos e campeão absoluto de vendas, com muitos folhetos que ultrapassam a casa dos milhões de exemplares vendidos.



Compôs obras-primas que eram utilizadas em obras de outros grandes autores: Ariano Suassuna, por exemplo, utilizou a história do cavalo que estercava dinheiro no seu Auto da Compadecida.

Depois de fundar uma pequena gráfica, em 1906, seus folhetos se espalham pelo Nordeste, sendo considerado por Câmara Cascudo o mais lido dos escritores populares.

Já segundo Carlos Drummond de Andrade foi, "no julgamento do povo, rei da poeisa do sertão e do Brasil em estado puro.".

Segundo Permínio Ásfora, teria sido preso em 1918 porque o chefe de polícia considerou afronta às autoridades alguns dos versos da obra “O Punhal” e a “Palmatória”, trama que tratava de um senhor de engenho assassinado por um homem em quem teria dado uma surra.


Sebastião Nunes Batista, no entanto, em Antologia da Literatura de Cordel (Fundação José Augusto, Natal, 1977) dá como causa-mortis, a Influenza, a gripe espanhola.

O QUE DISSERAM SOBRE LEANDRO GOMES DE BARROS

LUIZ DA CÂMARA CASCUDO (Folclorista)

"É ainda o mais lido de todos os escritores populares. Escreveu para sertanejos e matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboieiros, feirantes e vaqueiros. É lido nas feiras, nas fazendas, sob as oiticicas, nas horas do 'rancho', no oitão das casas pobres, soletrado com amor e admirado com fanatismo.

Seus romances, histórias românticas em versos, são decorados pelos cantadores. Assim Alonso e Marina, O Boi Misterioso, João da Cruz, Rosa e Lino de Alencar, O Príncipe e a Fada, o satírico Cancão de Fogo, espécie de Palavras Cínicas, de Forjaz de Sampaio, a Órfã Abandonada, etc. constituem literatura indispensável para os olhos sertanejos do Nordeste.

Não sei verdadeiramente se ele chegou a medir-se com algum cantador. Conheci-o na capital paraibana. Baixo, grosso, de olhos claros, o bigodão espesso, cabeça redonda, meio corcovado, risonho contador de anedotas, tendo a fala cantada e lenta do nortista, parecia mais um fazendeiro que um poeta, pleno de alegria, de graça e de oportunidade."

HORÁCIO DE ALMEIDA (Crítico Literário)

Só no final do século XIX, quase ao limiar deste, apareceram impressos os primeiros folhetos de cordel. O pioneiro desta iniciativa foi Leandro Gomes de Barros. Convém insistir na afirmação a fim de dissipar as nuvens fumarentas que pairam sobre o assunto. (...)

Todos os temas versou. No heróico, fez poemas sobre cangaceiros, peleja de cantadores, os martírios de Genoveva, etc. No novelesco, Branca de Neve, o Boi Misterioso e o homem que subiu de aeroplano até a lua. No satírico, a cachaça, a dor de barriga de um noivo, a mulher do bicheiro.

No social, o retirante, o dez-réis do Governo, o aumento dos impostos. No religioso, o diabo confessando uma nova-seita, o milagroso do Beberibe, como João Leso vendeu o Bispo.

Nos fatos do dia, o cometa, a hecatombe de Garanhuns, o Presidente Afonso Pena. Na ressurreição dos romances de cavalaria, a Batalha de Oliveiros com Ferrabrás, a Prisão de Oliveiros, a Donzela Teodora. Como poeta satírico não teve igual.

Metade de sua obra descamba para o picaresco. (...) Era de seu sistema deixar inacabados os poemas num folheto para dar continuidade noutro, com o que visava manter preso o leitor. Assim fazia porque vivia do produto de sua obra. Enquanto lançava uma nova, reeditava outra das conhecidas, sendo ele próprio o autor, o editor e o distribuidor."

CARLOS DRUMOND DE ANDRADE (Poeta)

“ Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores, num total de 173, elegeram por maioria relativa Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros. Atribuo o resultado a má informação porque o título, a ser concedido, só poderia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista FON-FON, mas vastamente popular no Nordeste do País, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor de "Ouvir Estrelas". (...)

E aqui desfaço a perplexidade que algum leitor não familiarizado com o assunto estará sentindo ao ver defrontados os nomes de Olavo Bilac e Leandro Gomes de Barros. Um é poeta erudito, produto da cultura urbana e burguesa média; o outro, planta sertaneja vicejando à margem do cangaço, da seca e da pobreza.

Aquele tinha livros admirados nas rodas sociais, e os salões o recebiam com flores. Este, espalhava seus versos em folhetos de cordel, de papel ordinário, com xilogravuras toscas, vendidos nas feiras a um público de alpercatas ou de pé no chão.

A poesia parnasiana de Bilac, bela e suntuosa, correspondia a uma zona limitada de bem estar social, bebia inspiração européia e, mesmo quando se debruçava sobre temas brasileiros, só era captada pela elite que comandava o sistema de poder político, econômico e mundano.

A de Leandro, pobre de ritmos, isenta de lavores musicais, sem apoio livresco, era o que tocava milhares de brasileiros humildes, ainda mais simples que o poeta, e necessitados de ver convertida e sublimada em canto a mesquinharia da vida (...). Não foi príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro."

HOMERO SENNA (Escritor)

"Em artigo que teve grande repercussão, embora causasse certa perplexidade, Carlos Drummond de Andrade chegou a afirmar que a láurea de ´príncipe dos poetas brasileiros´, outorgada, em 1913, a Olavo Bilac, a rigor só podia caber a Leandro Gomes de Barros, 'planta sertaneja vicejando à margem do cangaço, da seca e da pobreza'.

Leandro - observa o poeta itabirano - foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho de vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião."

ARIANO SUASSUNA (Teatrólogo)

"Os cordelistas me influenciaram tanto quanto Lorca, que tem um mundo de cavalo, boi, cigano e romanceiro popular parecido com o meu, ou Calderón de la Barca; para mim o príncipe dos poetas brasileiros é Leandro Gomes de Barros, autor de dois dos três folhetos em que me inspirei para escrever o Auto da Compadecida: O Enterro do Cachorro e A História do Cavalo Que Defecava Dinheiro.

JOSÉ ROMERO CARDOSO DE ARAUJO (Professor da UERN e Conterrâneo de Leandro Gomes de Barros)

“ ... Seu legado perpetua-se de geração a geração, pois seu gênero principal atravessa os tempos com uma atualidade impressionante que revela a permanência de problemas seculares que afligem o nordestino.”

JOÃO MARTINS DE ATAÍDE (poeta popular), que comprou os direitos autorais de Leandro a Venustiniana Eulália de Barros, escreveu o seguinte no folheto:

A Pranteada Morte de Leandro Gomes de Barros:

“Poeta como Leandro/Inda o Brasil não criou/Por ser um dos escritores/Que mais livros registrou,/Canções, não se sabe quantas,/Foram seiscentas e tantas/As obras que publicou./

No dia de sua morte/ O céu mostrou-se azulado, / No visual horizonte/Um círculo subdourado/Amostrava no poente/ Que o poeta eminente/Já havia se transportado.”

LUIZ DA CÂMARA CASCUDO (Folclorista)

“Um dia, quando se fizer a colheita do folclore poético, reaparecerá o humilde Leandro Gomes de Barros, vivendo de fazer versos, espalhando uma onda sonora de entusiasmo e de alacridade na face triste do sertão."

E pensar que um dia imaginei que o ilustre Professor Arlindo estava exagerando ao dimensionar a importância de Leandro Gomes de Barros, nada mais tenho a declarar.

Textos sobre Leandro extraídos dos sites Wikipedia e www.marcoslacerdapb.hpg.ig.com.br



Do site da Rádio Liberdade96fm/pombal

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