Presidentes de 16 estatais são militares e chegam a receber até R$ 260 mil por mês, muito acima do teto constitucional

O silêncio dos militares diante da escalada golpista de Bolsonaro tem seus motivos. Afinal de contas, vários integrantes das Forças Armadas estão sendo muito bem pagos para aplaudir as ações do ex-capitão, por mais absurdas e antidemocráticas que sejam. Muitos militares ocupam cargos de comando em um terço das estatais administradas pelo governo federal, onde enriquecem à custa do erário. Das 46 empresas ligadas à União, 16 são dirigidas por membros do Exército, Aeronáutica ou Marinha. Nesses postos, acumulam remunerações exorbitantes e chegam a ter um faturamento mensal maior do que R$ 260 mil. Mais um favorecimento do mandatário aos amigos de farda, que hoje já somam 6.157 membros em todo o governo.

O caso mais emblemático é o da Petrobras, presidida pelo general de Exército da reserva Joaquim Silva e Luna, no cargo desde abril. Ele assumiu o posto após uma intervenção de Bolsonaro na estatal, descontente com os constantes reajustes dos combustíveis. Até então, o general recebia mensalmente uma aposentadoria de R$ 32,2 mil. De abril de 2021 até agora, Silva e Luna turbinou seus vencimentos, somando à sua conta bancária o salário adicional de R$ 228,2 mil.

GENERAL DA PETROBRAS Joaquim Silva e Luna ganha R$ 260 mil mensais

 

Todos os militares lotados na direção de estatais possuem contracheques que desrespeitam o teto constitucional, valor máximo que um servidor federal pode receber. De acordo com a legislação, nenhum funcionário público pode ter vencimentos maiores do que R$ 39,3 mil — correspondente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Para ter uma explicação formal que justificasse esses pagamentos, o Ministério da Economia editou uma portaria que permite a militares da reserva que ocupam cargos no governo a acumularem as remunerações de militares aos salários nos postos no governo. Além dos dirigentes das estatais, a canetada de Paulo Guedes beneficiou diretamente outros militares do primeiro escalão, como o próprio Bolsonaro, além do vice-presidente, general Hamilton Mourão, e outros ministros militares.

E não é só o presidente da Petrobras que está enchendo o bolso com o dinheiro público. O general de Divisão da reserva Floriano Peixoto Vieira Neto, que comanda os Correios desde junho de 2019, vem se locupletando com os recursos da União. Somando sua aposentadoria ao salário de presidente da estatal, o general fatura mensalmente mais de R$ 77 mil. Nessa mesma faixa de ganhos está o presidente da Infraero. Tenente-brigadeiro da reserva, Hélio de Paes Barros Júnior amealha rendimentos de R$ 71,9 mil em remuneração na estatal.

Francisco Magalhães Laranjeira é almirante de esquadra reformado e foi nomeado presidente da Companhia Docas do Rio um mês após o início do mandato de Bolsonaro. De lá para cá, o almirante passou a ter duas fontes de renda, que lhe garantem, todo mês, cerca de R$ 67,5 mil. Assim que assumiu a companhia, o almirante passou a distribuir cargos aos amigos da caserna. Um deles foi Marcelo Santiago Villas Bôas, filho do ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Assim como Laranjeira, Villas Bôas também tem furado o teto constitucional desde maio de 2019, quando passou a receber uma remuneração de R$ 43,5 mil. Para o professor de ciência política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lucas Pereira Rezende, Bolsonaro “suborna” os militares para conseguir sustentação dentro da caserna. “O presidente agrada os fardados por meio de aumento de rendimentos”, diz. Os militares estão sendo muito bem remunerados para apoiar o governo.

Ricardo Chapola | ISTO É

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