"Golpe” quer “tirar Lula” porque não tem candidato para enfrentá-lo, diz Dilma

Em Porto Alegre, onde o PT organiza diversas manifestações em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será julgado em segunda instância na quarta-feira (24), a sucessora de Lula, ex-presidente Dilma Rousseff (PT), fez longo discurso nesta segunda (22) classificando a eventual condenação de seu padrinho político como uma “etapa” do que chama de “golpe” que estaria ocorrendo no Brasil.

“(Os adversários) sabem que o presidente Lula tem acima de 40% das intenções de voto e seu apoio cresce em todas as camadas etárias”, disse Dilma. “(Eles) têm que tirar o presidente Lula porque politicamente o golpe não tem candidato para enfrentá-lo”, afirmou.

Dilma criticou os argumentos do Ministério Público Federal, que acusam Lula de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo suposto recebimento de propina da empreiteira OAS por meio de um apartamento tríplex no Guarujá, favorecendo a empresa em contratos com a Petrobras. O juiz Sergio Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão no caso, que terá recurso analisado pelo Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4).

Argumentos pró-Lula no processo

“Para nós ele é inocente e a pessoa inocente pode concorrer”, afirmou Dilma Rousseff sobre Lula poder participar da eleição presidencial deste ano. A petista disse que, “por isso”, a sigla deve “lutar para que o presidente Lula em todas as instâncias judiciais seja defendido”.

“Também teremos que ir para as ruas”, convocou a ex-presidente.

Dilma acredita que “Lula é acusado sem base jurídica” e com “falhas” no processo”. Ela tentou “explicar a questão jurídica, de forma simplificada, é claro, porque eu não sou advogada”, disse.

A ex-presidente citou a autorização, pelo juiz Sergio Moro, da gravação da conversa entre ela e Lula, quando, ainda presidente, pretendia nomear seu antecessor ao ministério da Casa Civil. A prova foi invalidada pelo Supremo Tribunal Federal e não foi utilizada no processo em que Lula foi condenado.

Dilma ressaltou que, em sua visão, para cries de corrupção passiva, “é necessário que tenha ato de ofício”. “Há que ter uma ação concreta. Não há uma ação concreta”, criticou. “Não é dito qual é a ação feita pelo presidente (Lula) que levou à oportunidade de um ganho ilícito ou ilegal”, afirmou.

Na sentença em que condena Lula, o juiz Moro argumenta, no entanto, que “basta para a configuração (do crime) que os pagamentos sejam realizadas em razão do cargo ainda que em troca de atos de ofício indeterminados, a serem praticados assim que as oportunidades apareçam”, citando jurisprudência de Cortes de Apelação Federais dos Estados Unidos. O magistrado cita que “a questão é ainda objeto de debates” no Brasil.

A segunda “falha” que Dilma vê na sentença de Moro é que não teria sido comprovado que o tríplex de fato era de Lula, mas que estava em nome da construtora. A ex-presidente cita que o apartamento no Guarujá foi arrolado em ação de penhora por indicação dos credores da OAS. A juáza do Distrito Federal que decretou a penhora publicou nota na qual afirma que “tal decisão não emitiu qualquer juízo de valor a respeito da propriedade”.

Dilma rebateu: “apesar de a juíza dizer que não tem nada com isso, ela fez uma execução, tirando o apartamento da garantia que a OAS tinha dado para a Caixa e passou o apartamento para uma empresa credora da OAS”.

“É difícil a gente saber onde está o apartamento”, afirmou a ex-presidente. “Isso é um abuso de poder”, classificou. “Como (o tríplex) pode ser do presidente Lula?”, questionou.

Dilma também voltou a criticar o “power point” apresentado pelo MPF quando denunciou Lula e o presidente do TRF4, Thompson Flores, que classificou, em entrevista à Jovem Pan e outros meios, a sentença de Moro como “irrepreensível” e “histórica” após a condenação do petista, embora ele não participe do julgamento na 8ª Turma.

Eleições 2018 e críticas a Huck e Bolsonaro

A petista afirmou que “a eleição de 2018 não pode levar a qualquer tipo de tentativa de ganho no tapetão”.

Sem citar o nome de Luciano Huck, apresentador da TV Globo e apresentado em pesquisas como candidato à Presidência, Dilma o criticou diretamente, dizendo que “estão tentando fazer política social de auditório”.

“Essa também é inadmissível para nós. Não podemos aceitar que a distribuição de casa ou de carro seja uma forma legítima de política social. É uma forma legítima de auditório”, discursou.

A petista defende “um período de transição em que terá de ser reconstruído um Brasil tão ferido”, para se “rediscutir” algumas medidas do atual governo e “que se impeça que outras avancem”, além de “reconstruir a democracia”.

Em outro momento do discurso, Dilma criticou o pré-candidato Jair Bolsonaro, que, como deputado, elogiou no plenário da Câmara o torturador da Ditadura, coronel Brilhante Ustra, “o pavor de Dilma Rousseff”, ao votar pelo impeachment.

“(Bolsonaro) jamais poderia de público defender tortura”, disse Dilma. Para a petista, o “surgimento da extrema direita” é também uma consequência do que chama de “Lawfare”, tese dos defensores de Lula, “em que você usa a lei como forma de destruição do inimigo”.

“Fogo amigo”

Para Dilma, esse processo de “lawfare” produz “fogo amigo”. “No fogo amigo é muito difícil atirar só nos lulopetistas”, afirmou. “O estancamento da sangria não produz os resultados esperados”

“Destroem-se as lideranças dos partidos conservadores do Brasil. Essas lideranças, todas, são inviabilizadas”, avaliou.

No entendimento da ex-presidente, como as investigações atingem todos os partidos, isso “inviabiliza” a suposta “tentativa de destruir o Partido dos Trabalhadores” e inclusive aumenta a aprovação da sigla, “inesperada por eles” (adversários).

“Etapas” do “golpe”

Na “etapa” do “golpe” do seu impedimento, Dilma disse que “esse processo de impeachment sem crime de responsabilidade leveria necessariamente a uma instabilidade institucional”. Ela cita o “conflito” entre as três esferas de poder.

Dilma também criticou as políticas do governo de Michel Temer, que seriam a “segunda etapa” do “golpe”. Ela afirmou que a reforma da Previdência faz parte de um conjunto de propostas “que nunca teriam a aprovação” popular e das urnas e que a “desconstrução dos projetos sociais como o Bolsa Família” é “politicamente impensável.

A petista afirmou que “é isso o que o golpe queria”, inclusive “enquadrar o Brasil geopoliticamente”.

A “terceira etapa” do chamado “golpe” seria, segundo Dilma, “completar a grande entrega da Petrobras, que é a mudança do modelo de partilha”. “Já é um passo enorme para que as grandes empresas internacionais de petróleo se apoderem de nossas riquezas”, discursou a ex-presidente.

“Há que condenar o lula do ponto de vista daqueles que querem a continuidade do golpe e da sua conclusão em terceira etapa”, completou.

UOL

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