DEM tem o desafio de manter dobradinha nas presidências do Legislativo

A escolha de Capitão Augusto ou de qualquer outro parlamentar que queira lançar candidatura antecipada, especificamente para a Câmara, é uma estratégia conveniente, considerando que será necessário rivalizar com o nome a ser lançado por Rodrigo Maia. Desde 2016 à frente da Câmara, Maia tem a maior capacidade de influenciar nas eleições do próximo ano. “Isso reforça a necessidade de os deputados começarem a aparecer desde já para conseguir angariar alguns compromissos”, analisa o cientista político Enrico Ribeiro, coordenador legislativo da Queiroz Assessoria em Relações Institucionais e Governamentais.

O especialista destaca que captar insatisfações dentro de cada bancada será a principal forma de se conseguir apoio. “No ano que vem, novos blocos serão formados para a disputa tanto das presidências quanto das comissões. Dessa forma, é importante que o presidenciável busque saber qual partido quer entrar em evidência e, a partir daí, começar a construir uma forma de lhes dar espaço dentro de comissões, por exemplo. Ou, então, apresentar uma proposta de mudança da estrutura das Casas para permitir que se possa ter mais cargos comissionados e, assim, os partidos se sintam mais à vontade para falar com outras pessoas. É fundamental sinalizar com uma bancada ou outra”, diz Ribeiro.

Para o estudioso, é inevitável que haja uma troca do partido à frente das presidências. Hoje, o DEM comanda tanto Câmara quanto Senado. Na segunda Casa, o cenário de mudança é mais provável, especialmente porque o MDB visa retomar a sua hegemonia histórica: desde a redemocratização, em 1985, a legenda emplacou o presidente do Senado em 17 de 20 eleições. Para isso, conta com nomes que não têm tanta resistência popular, como a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simone Tebet (MDB-MS), e o líder da sigla no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM).

“É pouco provável que o DEM consiga emplacar novamente os presidentes das duas Casas. No Senado, a bancada é numericamente pequena. Se o MDB lançar a candidatura de um nome menos queimado pela sociedade de que o do Renan Calheiros (MDB-AL), que perdeu para Davi Alcolumbre (DEM-AP) em 2019, acredito que vai ter um referendo. E na Câmara, ainda que o partido tenha uma bancada numericamente interessante, não há ninguém com as mesmas características que o Maia”, explica Ribeiro. “No entanto, é óbvio que os dois (Maia e Alcolumbre) terão um papel importante para a definição dos candidatos”, completa.

Meios e dinâmica

Para Ricardo Ismael, cientista político da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, as conversas correrão em um ritmo diferente no Senado, onde Alcolumbre busca um meio de se reeleger. Ele destaca que o atual presidente terá que se destacar muito bem no ano de 2020, fazer um bom trabalho nos bastidores e, ainda, encontrar um meio para garantir sua recondução ao cargo em fevereiro de 2021. “O Alcolumbre tem interesse de permanecer à frente do Senado. É um político novo, ganhando uma visibilidade, tirando frutos. Mas a questão é o que ele vai propor para tentar ver se consegue viabilizar essa reeleição. Vai ter que conversar seus com pares, apoiadores, para tentar preparar o terreno”, avalia.

A mobilidade que o atual presidente do Senado tem entre os grupos será sua maior aliada. Um bom desempenho das reformas econômicas também trará vantagens. “É um trabalho que vai durar o ano inteiro. E ele ainda terá que aprovar alguma coisa que viabilize sua candidatura. Ele vai aumentar as chances se der celeridade à reforma tributária. “Alcolumbre terá a oportunidade se destacar. Se ele enfrentar essa pauta, mostrar mobilidade, fechar acordos, há uma tendência para ele ganhar força para continuar. Agora, o Senado não é a Câmara, uma casa de deputados jovens. São pessoas maduras, que buscam acordos nos bastidores, que conversam. Além da necessidade de uma saída legal”, pondera Ricardo Ismael.

Correio Braziliense

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