Uma revista realizada nesta quarta-feira (28) na Cadeia Pública de
Mossoró levantou a suspeita de que pode estar havendo uma
comercialização de drogas no interior da unidade prisional. Entre os
objetos apreendidos, uma caderneta de anotações com toda a movimentação
do comércio de entorpecentes. Quatro presos foram apontados como
responsáveis pela venda de crack e maconha dentro da prisão. Eles
ficarão isolados dos demais como uma forma de punição, nas celas que são
chamadas "castigo".
A revista foi feita na manhã de ontem e
durou cerca de duas horas. Os dois pavilhões da unidade prisional foram
vasculhados pelos policiais militares e agentes penitenciários estaduais
que trabalham no local. Além da caderneta de anotações, foram
apreendidos: três baldes de cachaça artesanal, 15 celulares com
carregadores e chips, uma balança de precisão, várias trouxinhas de
maconha, facas artesanais, estiletes, maricas para fumar crack e outros
objetos. Todo o material apreendido estava escondido dentro das celas e
por isso os proprietários não foram identificados pela direção da
unidade.
Segundo o major Humberto Pimenta, diretor da Cadeia
Pública de Mossoró, a revista é feita sem os presos. Eles são retirados
da cela por uma equipe, enquanto outra faz a revista em busca de objetos
proibidos. Hoje a unidade está com aproximadamente 160 presos, vários
em uma única cela. É por isso que dificilmente o proprietário dos
objetos é identificado, explica o oficial militar.
Mesmo assim,
quatro foram identificados como os responsáveis pela venda de drogas na
Cadeia. Os nomes dos presos não foram divulgados. A direção informou
apenas que o quarteto está preso por tráfico de drogas. O major Humberto
ressaltou que a revista feita ontem tinha o objetivo de evitar fugas no
fim de ano. Geralmente os presos tentam escapar nas épocas de festa e o
Natal e Ano Novo são as datas preferidas.
Com a retirada de
drogas e vários objetos que poderiam ser usados em rebeliões ou planos
de fuga, o diretor da unidade diz estar mais tranqüilo com a segurança
da unidade nesse período de final de ano.
A direção da unidade vai abrir uma sindicância interna para tentar identificar como os objetos chegaram aos presos.
Inicialmente,
duas possibilidades são ventiladas. A primeira é que as drogas e outros
objetos tenham conseguido passar pela revista, possivelmente levados
pelos parentes dos presos. A outra é que possa haver facilitação
interna, feita por policiais ou agentes penitenciários que trabalham
naquela unidade.
Cadeia Pública Manoel
Onofre de Sousa, Mossoró (RN)
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