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Vaquejada & Repentista

12 de Março de 2009 Humberto Vital
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ABOIOS - Em sua quarta edição, o Festival de Aboio de São José dos Ramos, na Zona da Mata Paraibana, já está consolidado no calendário oficial de eventos do estado. A festa reúne em sua quarta edição vaqueiros, aboiadores, cantadores populares, grupos folclóricos e faz uma verdadeira homenagem ao interior nordestino e sua rica cultura. O evento tem o apoio do Sebrae, Fundo Augusto dos Anjos e do Governo da Paraíba, e acontece nos dias 13,14 e 15 deste mês na Praça Noé Rodrigues de Lima. O Festival que ocorre na Paraíba é o único que homenageia os vaqueiros em todo o Brasil.

Além dos aboios, que é a parte mais interessante da festa, onde os vaqueiros disputam no gogó quem faz o mais belo, o festival em sua programação tem competição de montaria, corrida e desfile de jegue, cavalgada, missa do vaqueiro e, é claro, muito forró pé-de-serra para animar os participantes. O evento ainda conta com homenagens ao repentista Manoel Xudu e ao poeta popular Zé de Brito, além de um festival que envolverá a nova geração de vaqueiros, tomando conta do evento as crianças e adolescentes.

Idealizado pela pesquisadora Laura Maurício, doutora em oralidade e escritura, o Festival do Aboio é antes de qualquer coisa uma louvação à tradição do aboio extremamente respeitada pelos homens do sertão. “O sentido dessa realização é mostrar as pessoas que uma parte de nossa cultura que está em extinção. O vaqueiro não tem mais os campos, o mundo da tecnologia e a nova configuração do mundo alteraram muito o ambiente de trabalho, mas o canto, o aboio, tem valor imenso para a cultura do nosso país e do Nordeste”, defende a estudiosa. Segundo Laura, mesmo com as tradições quase extintas por completo, alguns vaqueiros, principalmente de São José dos Ramos, continuam montados em seus cavalos e seguindo os costumes.

A pesquisadora também revelou que através do Fundo Algusto dos Anjos desenvolverá um CD com canções e aboios onde cerca de 10 vaqueiros irão participar. O curioso são as canções entoadas por uma vaqueira, Lila, única que se tem notícia no estado, e por dois vaqueiros mirins que se destacam na criação dos versos.

Toada dolente- O aboio típico no Nordeste do Brasil é um canto sem palavras, entoado pelos vaqueiros quando conduzem o gado para os currais ou no trabalho de guiar a boiada para a pastagem. É um canto ou toada um tanto dolente, uma melodia lenta, bem adaptada ao andar vagaroso dos animais, finalizado sempre por uma frase de incitamento à boiada  “ei boi! boi surubim!, ei lá, boizinho!”. Esteja atrás (no coice) ou adiante da boiada (na guia) o vaqueiro sugestiona o gado que segue tranquilo, ouvindo o canto.

Existe também o aboio cantado ou aboio em versos que são poemas de temas agropastoris, de origem moura e que chegou ao Brasil, possivelmente, através dos escravos mouros da ilha da Madeira, em Portugal, país onde existe esse tipo de aboio.



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